O
DESAFIO DE VIVER A DOIS
Casamento
é um "rito de passagem", mudam-se
o cenário e os papéis. A casa não é
mais a dos pais e os papéis não serão
mais somente o de filho, o de irmão e, principalmente,
o de solteiro. Em determinado momento, apesar de toda preparação
para o grande dia, o encontro entre dois sujeitos remete
a formação de um casal com papéis e
funções diferentes, novo endereço,
grandes expectativas, muitos planos e uma ansiedade que
varia de intensidade de pessoa pra pessoa.
Tudo isso é muito natural e bem sabido por todos.
Entretanto, a teoria geralmente se mostra um tanto diferente
na prática e as circunstâncias que envolvem
cada enlace podem ser extremamente variáveis. Vejamos
algumas situações:
1. O conflito experimentado
por um dos parceiros, quando existe dúvida quanto
à aceitação do matrimônio, fazendo
com que o sujeito permita que a decisão recaia sobre
fatores externos ao casal (escolha da família, fuga
ou outros interesses);
2. As mudanças sociais em torno da ideia da conjugalidade
e a constituição de novos modelos familiares
(vários casamentos, presença de enteados,
relação do novo casal com os ex-maridos ou
ex-esposas, etc.) podem se colocar como pontos de discussão
e de conflitos na construção da futura família;
3. A dificuldade de um dos parceiros em adaptar-se a nova
vida, em função das mudanças inerentes
a etapa que se inicia ou por não conseguir lidar
com o distanciamento da família de origem (casa dos
pais);
4. O ressentimento pela perda das ilusões depositadas
no casamento ou no cônjuge pode trazer consequências
graves na condução da vida conjugal;
5. A dificuldade de comunicação é outro
fator que exige cuidado especial, à medida que se
torna o grande vilão na formação de
um ambiente cronicamente em crise;
6. A escolha do momento de chegada de um filho, envolvendo
questões como: desejo mútuo, reais possibilidades
do casal, a vinda de um bebê inesperado, dificuldade
de engravidar, entre outros fatores, são pontos que
podem desestabilizar o equilíbrio do casal.
Estas são apenas algumas situações
que podem se apresentar no período prévio
ou posterior de qualquer enlace matrimonial. O mais importante
de tudo é saber que, antes de se eleger um culpado,
existem formas de se buscar alternativas e que grandes turbulências
são passíveis de reflexões e de reparação
em busca do bem-estar de ambos, desde que o casal ou mesmo
um dos parceiros se disponha a procurar e a aceitar ajuda.
É preciso, ainda, deixar claro que a psicoterapia
de casal não cumpre a função de juntar
ou de separar os cônjuges, mas sim de participar,
através de questionamentos e descobertas, da melhoria
da qualidade de vida dos atores da cena conjugal.
Ana Paula Gouvêa Margaritini
(31) 8825-5510
Especialista e mestre em psicologia clínica, atendimento
a adultos e casais.